O que é a PrEP
PrEP é a sigla para profilaxia pré-exposição. Consiste no uso de medicação antirretroviral por uma pessoa que não tem HIV, antes da exposição de risco, para impedir que o vírus se estabeleça no organismo caso o contato aconteça.
O esquema mais utilizado combina tenofovir e entricitabina em um único comprimido. A medicação atinge concentração protetora nos tecidos genitais e retais após alguns dias de uso, o que explica por que a proteção não é imediata no primeiro comprimido.
A PrEP protege contra o HIV. Ela não previne outras infecções sexualmente transmissíveis nem gravidez, e por isso o preservativo continua tendo papel complementar, não substituído.
Quem tem indicação
A indicação não se baseia em identidade ou orientação sexual, mas em situações concretas de exposição. Costuma se beneficiar da PrEP quem se encontra em pelo menos uma destas circunstâncias.
- Relações sexuais sem preservativo com parcerias de status sorológico desconhecido
- Parceria sorodiferente, quando o parceiro que vive com HIV não está com carga viral indetectável
- Episódios repetidos de infecções sexualmente transmissíveis
- Uso repetido de profilaxia pós-exposição, a PEP
- Contexto de trabalho sexual ou uso de substâncias associado a relações desprotegidas
A avaliação individual é o que define o esquema e a periodicidade dos exames. Duas pessoas com a mesma indicação podem receber orientações diferentes de acordo com função renal, uso de outras medicações e frequência das exposições.
Esquema diário ou sob demanda
O esquema diário consiste em um comprimido por dia, de forma contínua. A proteção plena para relação anal é atingida após sete dias de uso, e para relação vaginal após aproximadamente vinte dias. É o esquema indicado para a maioria das pessoas, inclusive mulheres cisgênero e pessoas em uso de hormonioterapia.
O esquema sob demanda, conhecido como dois mais um mais um, é uma alternativa para homens cisgênero que fazem sexo com homens e têm exposições espaçadas e previsíveis. Consiste em dois comprimidos entre duas e vinte e quatro horas antes da relação, seguidos de um comprimido vinte e quatro horas após a primeira dose e outro quarenta e oito horas após.
A escolha entre os dois esquemas é clínica e leva em conta previsibilidade das exposições, adesão e características da pessoa. Trocar de esquema por conta própria é uma das principais causas de falha da profilaxia.
Exames antes de iniciar e no acompanhamento
Iniciar PrEP sem os exames iniciais é um erro com consequência séria. Se a pessoa já estiver infectada pelo HIV sem saber, o uso de apenas dois antirretrovirais pode gerar resistência viral e comprometer o tratamento futuro.
Antes do início são solicitados teste de HIV, sorologias para hepatites B e C e sífilis, avaliação da função renal e rastreio de clamídia e gonorreia conforme a prática sexual. A vacinação para hepatite B e HPV é revisada nesse mesmo momento.
O acompanhamento envolve retorno em trinta dias e, depois, a cada três meses, com repetição do teste de HIV, avaliação renal e rastreio de outras infecções. Esse intervalo não é burocracia. É o que garante segurança do uso prolongado e detecção precoce de qualquer infecção adquirida no período.
O que é a DoxyPrEP
A DoxyPrEP é uma estratégia mais recente que utiliza doxiciclina depois da relação sexual para reduzir o risco de sífilis e clamídia, com efeito menor sobre a gonorreia.
A indicação é restrita a pessoas com exposição frequente e histórico recente de infecções bacterianas sexualmente transmissíveis. Não é uma medida para uso amplo, porque o uso prolongado de antibiótico tem implicações sobre resistência bacteriana e sobre a microbiota intestinal.
A decisão de usar DoxyPrEP exige uma conversa honesta sobre benefício individual e risco coletivo, com reavaliação periódica da necessidade de manter a estratégia.
Efeitos adversos e dúvidas frequentes
A tolerância à PrEP é boa na maior parte dos casos. Nas primeiras semanas podem ocorrer náusea, dor de cabeça e desconforto abdominal, geralmente leves e transitórios.
A discreta redução da função renal e da densidade óssea observada em alguns estudos é reversível com a suspensão e monitorada pelos exames de acompanhamento. Em pessoas com doença renal prévia, existem esquemas alternativos a avaliar.
A PrEP não causa infertilidade, não interfere em contraceptivos hormonais e não impede doação de sangue por si só. A interrupção também tem regra: manter o uso por sete dias após a última exposição no esquema diário, e não simplesmente parar no dia seguinte.
Situações que exigem atendimento no mesmo dia
- Exposição de risco sem estar em uso de PrEP, para avaliar PEP em até 72 horas
- Febre, dor de garganta, manchas no corpo e gânglios nas primeiras semanas após exposição
- Ferida genital, corrimento ou ardência ao urinar durante o uso de PrEP
- Vômitos ou diarreia que impediram a absorção dos comprimidos
A infecção aguda pelo HIV pode se manifestar como um quadro parecido com gripe. Nesse cenário, avaliar antes de manter a PrEP é essencial.
Perguntas frequentes
A PrEP protege contra outras ISTs?
Não. A PrEP previne a infecção pelo HIV. Sífilis, gonorreia, clamídia, HPV e hepatites continuam possíveis, e é por isso que o rastreio trimestral faz parte do acompanhamento.
Quanto tempo depois de começar a PrEP estou protegido?
No esquema diário, cerca de sete dias para relação anal e cerca de vinte dias para relação vaginal. No esquema sob demanda, a proteção começa com a dose dupla tomada entre duas e vinte e quatro horas antes da relação.
Posso parar a PrEP quando quiser?
A suspensão precisa seguir orientação. No esquema diário, mantém-se o uso por sete dias após a última exposição de risco. Interromper de forma abrupta em período de exposição deixa uma janela sem proteção.
PrEP faz mal aos rins?
Na maioria das pessoas não há repercussão clínica. Pode ocorrer redução discreta e reversível da função renal, motivo pelo qual a avaliação laboratorial é feita antes do início e a cada três meses.
Qual a diferença entre PrEP e PEP?
A PrEP é usada antes da exposição, de forma contínua ou planejada. A PEP é usada depois de uma exposição de risco já ocorrida, precisa começar em até 72 horas e dura 28 dias.
Quando marcar uma consulta
A avaliação com infectologista faz diferença quando o quadro sai do previsto, quando existe condição de risco associada ou quando o tratamento já iniciado não trouxe resposta. Na consulta, o tempo é suficiente para reconstruir a história completa, revisar exames anteriores e explicar cada conduta até fazer sentido para você.
O atendimento acontece em Uberlândia, por convênio ou particular. Você pode verificar os convênios atendidos ou descrever seu caso no formulário, com resposta em até 24 horas.